A ditadura formou a geração do exército que hoje habita o governo de Bolsonar – 27 de junho de 2020. – Poder

A ascensão do líder militar aposentado Jair Bolsonaro ao poder fez brilhar os olhos de uma geração de generais brasileiros.

Depois de 33 anos fora do centro da tomada de decisões no estado, funcionários uniformizados viram uma oportunidade de redenção.

Na abordagem dos generais de reserva mediados que aceitaram a candidatura, após o primeiro turno chegaram as bênçãos do Alto Comando do Exército, principal órgão da estrutura militar brasileira, em Bolsonaro.

O resultado, depois de um ano e meio de governo, é de fato a maior crise existencial recente das Forças Armadas.

“Existe confusão institucional. Há um número significativo de militares no governo “, disse o primeiro general de reserva a deixar o primeiro escalão, Carlos Alberto dos Santos Cruz (ex-secretário de Estado).

Em uma demonstração do Instituto Brasiliense de Direito Público, no sábado (20), ele descreveu o papel dos militares na política como desequilibrado. “Existe um excedente. Está começando a piorar o comportamento.”

Hoje, 10 dos 23 ministros do governo vieram do quartel, incluindo o ministro interino da saúde, general Eduardo Pazuell. Como o sucessor de Santos Cruz, Luiz Eduardo Ramos, Pazuello também é ativo. “Para ir ao governo, todos precisam ir à reserva”, diz o ex-ministro.

Ramos prometeu avançar sua saída do serviço ativo. Mais perto das forças armadas, historicamente, Bolsonaro, ele personifica o conflito que surgiu no regime de 1964.

A ditadura foi a última de uma série de intervenções militares desde a proclamação da República em 1889, um golpe clássico de uniforme.

A República Velha terminou em 1930 com outro golpe. Em 1945, com a conclusão do Estado Novo, e em 1954, marcado pelo suicídio de Getúlio Vargas, ele também veria ações decisivas para mudar o poder civil por mãos militares.

Em 1975, o cientista político americano Alfred Stepan (1936-2017) analisou a conexão entre as forças armadas e o poder civil no Brasil.

Segue a formação de um guardião que os militares receberam ao longo da história. Mas ela estabelece limites, lembrando que duas tentativas de golpe (1955 e 1961) que não tiveram o apoio legítimo de uma parte significativa da elite civil falharam.

Essa leitura salvadora da unidade nacional é evidente em duas notas assinadas pelo ministro da Defesa Bolsonaro, general de reserva Fernando Azevedo, sobre o golpe de 1964.

Aqui está um resumo do que sua geração acreditava: o movimento militar precisaria interromper o alinhamento do governo de João Goulart (1919-1976) com o então comunismo internacional e contar com apoio interno suficiente.

Como parte do processo histórico, um golpe não deve embaraçar os militares – tortura e assassinatos são ignorados na avaliação, exceto pela perda progressiva das liberdades civis.

Bolsonaro sempre promoveu a ditadura, enquanto ele é um deputado obscuro, principalmente sua característica repressiva.

Ele falou um pouco amargamente no poder, mas sua provocação instintiva da crise entre as forças manteve a tensão entre os uniformes a seu lado.

Não são poucos: além de ministros e oficiais de alto escalão, agora existem 2.900 soldados ativos emprestados na Esplanade.

A chamada ala militar do governo, sempre quebrada, procurou se apresentar como moderada e também moderadora.

Ele teve seus altos e baixos, dado o conflito com a ala ideológica representada pelos filhos presidenciais e seus aliados no governo, mas geralmente repetiu o formato da suposta proteção do poder civil pelos militares.

Na prática, isso fracassou, dado o caráter descontrolado dos bolsonares, mas a crescente ocupação de posições vitais no platô e na saúde durante a pandemia de Covid-19 mostra o efeito prático dessa intenção.
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Antes da posse de Bolsonar, o então comandante do Exército Eduardo Villas Bôas disse em entrevista ao Folha que a vitória do capitão não foi o retorno do exército ao poder, apesar de temer a politização do quartel.

Hoje, assusta os observadores não tanto nas forças, mas na polícia, especialmente nas forças armadas, frequentemente identificadas com o bolonarismo.

Esta é uma notícia histórica, dado que em tempos de conflito entre forças estatais, como 1930, 1932 ou 1961, o apoio dos soldados era mantido pelos governadores.

Em seu trabalho, Stepan destaca uma série de questões internas para as forças. Depois que a última grande guerra regional foi travada no Paraguai, há 150 anos, os desafios externos estão sendo substituídos por tarefas de natureza política.

Um grande período de turbulência e ansiedade em 1945, após a queda de Getúlio Vargas, até o golpe de 1964, esse espírito intervencionista se espalhou por todo o caminho até o paroxismo da ditadura.

No primeiro governo militar, o marechal Humbert Castell Branco (1899-1967), uma reforma foi realizada para normalizar esses distúrbios.

Foi estabelecido um sistema segundo o qual 25% do pessoal do Diretor Geral em todos os níveis será renovado a cada ano.

Por outro lado, foram tomadas medidas para reduzir a politização dos estratos mais baixos da unidade, considerados vulneráveis ​​ao socialismo.

Antes disso, o pessoal uniformizado já havia passado pelo processo de apagar a memória da FEB, a força expedicionária brasileira que lutou na Itália em 1944 e 1945.

Quando voltaram ao país, os comandantes se espalharam de tal forma que não formaram um núcleo político: foram combater o nazismo e retornaram à ditadura do Estado Novo, que seguia essa orientação. No entanto, Vargas renunciou sob pressão militar.

A reforma da década de 1960 passou com dificuldade e levou a um conflito entre Castello Branco e seu ministro da guerra e Arthur da Costa e Silva (1899-1969), e ele finalmente se tornou presidente da AI-5.

Somente Castello Branco lutou na FEB, entre os presidentes da ditadura. Stepan diz que Costa e Silva “era visto como simpatizante dos desejos de um governo mais militante e autoritário e de uma posição menos pró-americana e mais nacionalista”.

O ato institucional que fortaleceu a ditadura em 1968 foi uma reversão. Os militares abraçaram firmemente as autoridades.

Na década de 1970, formou-se o núcleo dos generais de Bolsonar, ele próprio um cadete da classe de 1977. Seu reitor, Augusto Heleno (Escritório de Segurança Institucional), formou-se na Academia Militar Agulhas Negras em 1969 e sempre aceitava causas políticas em serviço.

Suas críticas à política indígena do governo Luiz Inácio Lula da Silve (PT) custaram-lhe os comandos da Amazônia e, em 2011, ele foi impedido de receber o golpe de 1964 em sua despedida de despedida.

É paradoxal que a guerra de Lula (2003-2010) tenha se beneficiado muito de um ponto de vista material.

Esse período foi marcado por projetos estratégicos de armas, liderança na missão de manutenção da paz da ONU no Haiti, aumento do financiamento e participação nas GLOs (operações policiais).

Os anos que Fernando Henrique Cardoso (PSDB, 1995-2002), por sua vez, lembram com desprezo.

Eles sentem que foram retirados de segundo plano em suas funções militares porque já estão fora da política, e a criação do Ministério da Defesa foi percebida como uma subordinação indesejada à autoridade civil.

Sob Dilma Rousseff (PT, 2011-2016), o alvoroço político cresceu, principalmente por causa da Comissão da Verdade, que destacou os crimes da ditadura, e a liderança militar a classificou como um tribunal unilateral.

A eleição do PT e a chegada de Michel Temer (MDB) por seus dois anos no poder em 2016 pavimentaram o caminho para um retorno ao protagonismo.

A defesa foi entregue ao general de quatro estrelas em 2018, encerrando o princípio simbólico do portfólio, e o general Sérgio Etchegoyen (GSI) assumiu um papel vital na assessoria ao governo.

O seqüestro do regime militar pelo rito do governo de Bolsonaro deu errado nas ameaças tortas do uso da força contra outras forças pelo presidente.

No grupo ao vivo Personalidades em Foco, Heleno repeliu um golpe em 20 de maio.

“Não passando [pela cabeça] golpe, intervenção. [Devo isso aos] nossos instrutores, vacinados nesse caminho do exército, interferindo de uma maneira que não é recomendada, mas frequentemente necessária na política. “

A expressão é revelada: “frequentemente necessário”. Heleno é considerado o mais rígido dos generais que migraram para o platô com Bolsonar, mas sua opinião não é hegemônica.

O general Azevedo deveria desempenhar o papel de moderador da equipe de classe uniformizada, em excelente acordo com seu ex-subordinado Walter Braga Netto, general encarregado da Casa Cívica. Ramos, que também atuava sob o atual ministro, já estava mais perto dele.

O agravamento da tripla crise pela qual o Brasil está passando e o Covid-19 contribuiu para a recessão à vista e a tempestade política aumentou o barulho entre o serviço ativo e o exército de terno.

Stepan ressalta que já estava no auge da ditadura. Se ele estivesse vivo, poderia estar ligado à aversão do comandante ao ativismo sindical defendido por Bolsonaro, um militar indisciplinado.

Em três décadas fora do poder, as forças “se afastaram de crises políticas, impérios, casos de corrupção” e “tiveram alta credibilidade” entre a população, diz Santos Cruz.

O general, que passou pelos dois lados do balcão, resume o atual momento militar: “A situação complexa”.

Onde os bolonistas estavam

General Augusto Heleno
Ele se formou na academia militar de Agulhas Negras (Amã) em 1969. Em 1977, o capitão recém-nomeado assumiu o cargo de conselheiro do ministro do Exército Sylvi Frot

General Fernando Azevedo

Iniciou sua carreira no Exército em 1973 na Academia Militar Agulhas Negras, no Rio de Janeiro, e fazia parte da brigada de pára-quedas de infantaria

General Hamilton Mourão

Formou-se na Academia Militar Agulhas Negras em 1975

Jair Bolsonaro

Em 1977, formou-se na Academia Militar Agulhas Negras

General Luiz Eduardo Ramos Baptista Pereira

Em 1979, ele era um ambicioso oficial de armas pequenas

General Eduardo Pazuello

Em 1984, formou-se na Academia Militar Agulhas Negras como comissário de bordo (assessor do comandante em administração financeira e contabilidade).

General Walter Souza Braga Netto

Ele entrou na Academia Militar de Agulhas Negras em 1975. Ele era um oficial ambicioso no Cavalier em 1978.

Olavo de Carvalho

Entre 1966 e 1968, ele lutou no Partido Comunista contra a ditadura militar. Em 1970, ele serviu como astrólogo.

Paulo Guedes
De 1974 a 1978, ele recebeu seu doutorado na Universidade de Chicago (EUA)

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