Novembro 28, 2020

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Memórias do único Paredes-Benfica da história: ″ Tive vergonha de pedir a camisola a monstros ″

O único jogo entre Paredes e Benfica foi há 35 anos. Carlitos e Magalhães disputaram esta partida e enfrentaram os ídolos da época

Foi a 4 de Maio de 1985 que Paredes e Benfica se encontraram pela única vez na história. Amanhã vai haver mais um confronto, mas as memórias de um dia especial ficaram para trás quando as águias se deslocaram a Penafiel, casa emprestada aos paredenses, para vencer por 3-0.

“Sou adepto do Benfica e estava habituado a ir à Luz ver os meus ídolos jogar. Quase sempre ia a competições europeias de automóveis, com os meus amigos, e enfrentávamos cinco a seis horas de viagem. Num piscar de olhos, dei de cara com enfrentar com Diamantino, Wando, Bento, Nené … ”, diz Carlitos, atacante daquela formação de Paredes que na época subia à extinta II Divisão.

“O Benfica sabia que tínhamos uma equipa forte e veio com todos os jogadores. O que poderíamos fazer? Apenas gostámos”, diz Magalhães, antigo defesa-direito. Em meia hora, o resultado já estava feito. Paredes não resistiu aos gols de Manniche, Wando e Nené e o resto, diz Carlitos, foi “uma peladinha”. “Estávamos acostumados a jogar pelados. Nunca tinha usado tachas de alumínio. Repara, aos 30 minutos já estava com os pés cheios de dores …”, conta.

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Se Carlitos não estava com vontade de pedir lembrancinhas aos craques no final da partida, não foi o que aconteceu com Magalhães. “Estávamos tão absortos que nem importava. Eu queria a camisa de alguém, mas tinha vergonha de me dirigir a monstros como aqueles. Se fosse hoje, não teria vergonha, só na época em que éramos meninos”, evoca o ex-defensor também é um fã da águia. Amanhã, Carlitos vai torcer pelo Benfica, porque tem “mais hipóteses” de ganhar a Taça, enquanto Magalhães vai torcer pelo Paredes.

Jorge Jesus é “difícil de entender”

Carlitos reconhece que é um adepto “fervoroso” do Benfica e se ainda hoje jogou gostaria de trocar algumas palavras com … Jorge Jesus. “Às vezes não percebo como o Benfica joga”, rebate. Porém, Magalhães tem uma opinião mais simpática sobre o treinador.

“Fiquei muito chateado quando ele saiu. É um idioma diferente”, comenta. Para o ex-zagueiro, a surpresa é possível. “Os miúdos não têm tanto medo. Na altura, tremíamos só de olhar para as camisolas. O Sporting não foi eliminado pelo Alverca na época passada e o Benfica não estremeceu em Vizela?”