O bloqueio de suas contas de bolso pelo STF lembra o WhatsApp e afeta você

Lembre-se dessa decisão Ministro Alexandre de Moraes, cujas contas de investigação foram subitamente bloqueadas naquela investigação de notícias falsas? Será assim que, em um futuro não tão distante, muita conversa sobre a Internet começará com leis e liberdade de expressão. Você pode anotá-la.

Fazendo história

decisão que nesta sexta-feira (24) encheu as plataformas Twitter e Facebook, suspendendo as contas de dezenas de entrevistados, é muito marcante. Parece bloquear o YouTube e o WhatsApp, mas com uma diferença importante: naquela época, os aplicativos como um todo eram bloqueados devido a algum conteúdo ilegal. Agora, as contas de certas pessoas estão bloqueadas para evitar futuras injustiças.

A questão da proporcionalidade

Essa decisão levanta pelo menos duas questões controversas. Inicialmente, a conta inteira é considerada uma ferramenta para executar ações ilegais. Em outras palavras, o conteúdo está bloqueado e pode ser um discurso de ódio? Sim, mas fotos de gatos, mensagens com a mãe e outros conteúdos protegidos pela liberdade de expressão também são bloqueados.

É uma questão de proporcionalidade: assim como você não deve travar um YouTube inteiro apenas por causa dos vídeos de Cicarelli, não deve bloquear a conta inteira de alguém como se apenas conteúdo ilegal tivesse sido postado nela. Isso pode solicitar ordens judiciais mais gerais.

Você sabe onde ainda existem ordens generalizadas? No caso de Marielle, que está no STJ para decidir se a polícia pode pedir informações a qualquer um que tenha pesquisado no universo pelo nome X para encontrar o suspeito. Este livro contém informações sobre aqueles que não têm nada a ver com o caso.

Prevendo o futuro

Outro ponto controverso da decisão é a questão do futuro. As contas foram bloqueadas para impedir que as ações futuras das pessoas sejam investigadas. Como podemos saber que essas pessoas continuariam a cometer atos ilegais? Existe algo na investigação que sugere um salto em novos ataques? A decisão do ministro em maio apontou para uma organização entre contas, que trabalhou junto com outras contas automatizadas para carregar hashtags e conteúdo ofensivo no STF. O problema é a afirmação geral de que o bloqueio visa impedir futuras ações ilegais.

Os usuários bloqueados podem usar outras contas?

Também vale a pena perguntar: se uma ordem judicial bloquear certas contas, existe um obstáculo para essas mesmas pessoas criarem novas contas? E se não fossem contas pessoais, mas de canais ou blogs de outra pessoa, eles não poderiam continuar cometendo atrocidades?

Foi obtida a impressão de que a ordem judicial original (que as plataformas ordenavam remover contas apenas com a indicação dos nomes dos entrevistados e do CPF) pretendia banir os entrevistados das redes sociais. Dada a sua generalidade, as plataformas procuraram refinar as contas. Ao fazê-lo, o tribunal cumpre a meta?

Ou talvez a ordem, mesmo sabendo que a pessoa investigada pudesse publicar de outra maneira, tenha enviado uma mensagem sobre a continuidade das ações ilegais cometidas enquanto a investigação está em andamento? Vale lembrar que Sara Winter fez postagens engraçadas depois que ela saiu da cadeia.

Portanto, a decisão de hoje é simbólica porque:

1) intensifica a discussão sobre pedidos genéricos e inespecíficos;

2) interfere na noção de prevenção de futuros atos ilegais; e

3) aceita ineficácia, desde que a mensagem seja dada.

Deixe ficar para você

Receio que, ao perceber que os entrevistados continuem usando redes para outras contas, o STF revive o bloqueio de aplicativos.

O Supremo Tribunal Federal está no meio de uma decisão sobre a possibilidade de bloquear aplicativos (resultantes de sucessivas suspensões do WhatsApp). Os ministros Edson Fachin e Rosa Weber já votaram, mas o julgamento foi adiado a pedido. Você sabe quem solicitou o exame? Ministro Alexandre de Moraes.

Em outras palavras, o debate sobre o bloqueio de sites e aplicativos como um todo ainda não está encerrado. Você já se perguntou se uma investigação de notícias falsas se tornará um daqueles episódios em que um site ou um aplicativo inteiro no Brasil está bloqueado e todo mundo lá fora fica sem acesso a suas contas? E você imagina que nunca teria nada em comum com um grupo de pesquisadores.

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