O novo pterossauro brasileiro chama atenção para o bizarro brasão de armas – 20 de setembro de 2021 – Ciência

Os cientistas identificaram um novo pterossauro que habita o nordeste do Brasil há mais de 100 milhões de anos. Morou mais precisamente no planalto do Araripe, conhecido por sua grande diversidade e qualidade de fósseis, entre os estados de Pernambuco, Piauí e Ceará, com dezenas de espécies já descobertas.

Em altura, o animal que acabamos de descrever não deveria atingir três metros, mas poderia atingir três metros na envergadura, não possuía dentes e, como característica marcante, possuía um enorme brasão na cabeça, o que provavelmente estaria associado ao comportamento sexual e comunicação em espécies.

Este exuberante brasão é comum a outros membros do grupo dos tapejarídeos, cujos representantes habitavam regiões distantes do mundo ancestral, seja no supercontinente sul de Gondwana, que tinha América do Sul, África, Antártica e Oceania, ou na Laurásia, que unia Ásia, América do Norte e Europa.

Especula-se que o animal se alimentasse no bico com frutas e pequenos animais à beira de corpos d’água, de forma semelhante às garças modernas.

Segundo os pesquisadores, o novo tapejarídeo ajuda a identificar as origens do grupo. Com novos insights e atualizações Espécies de “árvore genealógica”, que tem o nome oficial de cladograma, afirmam os cientistas, são mais prováveis ​​de ter se originado em Gondwana, mais precisamente na América do Sul, e só mais tarde se espalhou para a Laurásia.

Artigo científico com os achados foi publicado esta semana na revista Acta Paleontologica Polonica, com a participação de pesquisadores da Unipampa (Universidade Federal do Pampa, no Rio Grande do Sul), UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e do Nacional Museu do Rio.

Fósseis de Tapejaridae já foram encontrados em regiões que hoje são China, Marrocos, Alemanha, Espanha e Hungria, além, é claro, do Brasil. Recentemente, outro espécime brasileiro do mesmo grupo é descrito, O Tupandactylus navigans.

O nome que os cientistas escolheram para o batismo do novo pterossauro do Cretáceo Brasileiro foi Diana Kariridraco. A primeira parte menciona a etnia indígena Kariri, originária da região, e a palavra latina “draco”, que significa “dragão”. A segunda parte é uma dedicatória a Diana Prince, a maravilhosa mulher dos quadrinhos.

Outra coisa interessante sobre as tênias, além de sua exuberância ou bizarrice, é que elas podem ajudar a entender a evolução e a propagação das angiospermas, as plantas evolucionárias mais recentes que têm flores e frutos e incluem uma variedade de espécies que vão desde pernas até feijão. para goiaba.

Alimentando-se de frutas e espalhando sementes através das fezes, esses pterossauros podem ter contribuído para o predomínio das angiospermas que observamos hoje, mudando para sempre o mundo terrestre.

Pterossauros, vale notário, eles não são dinossauros, mas tem um um ancestral evolucionário comum. Um grupo de animais alados pré-históricos conquistou o céu pela primeira vez, 80 milhões de anos antes dos pássaros, e poderia ter sido do tamanho de pequenos aviões.

Também é conveniente lembrar que os pássaros modernos são descendentes diretos dos dinossauros (ou seja, dinossauros), não dos pterossauros, que não deixaram nenhum representante na fauna terrestre de hoje, provavelmente extinta há cerca de 65 milhões de anos.

Infelizmente, o fóssil estudado pelos cientistas não veio de escavações oficiais.

“Quando falamos em fósseis da Formação Romualdo, no Planalto do Araripe, é difícil trabalhar com fósseis encontrados por paleontólogos, pois as pesquisas que lá foram acompanhadas por esses especialistas são muito recentes. Historicamente, era muito mais comum os trabalhadores locais coletarem e venderem esses fósseis para seu sustento – eles traziam esses espécimes à superfície ”, diz Felipe Lima Pinheiro, coautor do novo estudo e pesquisador da Unipampa.

O trabalho foi liderado por Gabriela Cerqueira, atualmente doutoranda em paleontologia pela UFSM (Universidade Federal de Santa Maria). Foi ela quem, ao retirar a rocha do fóssil (processo de preparação), teve uma surpresa negativa: a coleção secreta deixou uma cicatriz no material.

“Começamos a perceber que ele era uma espécie de monstro Frankenstein, formado a partir de mais de um fóssil colado a outro, um pterossauro, mesmo com [a resina] durepoxy. É uma prática muito comum remover esses fósseis incorretamente, com esforçar-se para torná-los mais atraentes para os compradores em potencial”, Afirma Pinheiro. A falsificação, relata o pesquisador, fez com que o estudo do novo pterossauro fosse muito mais lento do que o normal.

A extração e venda ilegal de fósseis são infelizmente comuns. Recentemente, Cientistas brasileiros entraram na disputa com o Museu de História Natural em Karlsruhe, Alemanha, por um fóssil de dinossauro excepcionalmente bem preservado, Ubirajara jubatus,, retirado ilegalmente do Brasil em 1995.

Material com parte do crânio e algumas vértebras Diana Kariridraco, que pode ter tido destino semelhante, foi doado ao Museu de Paleontologia de Santana do Cariri, no Cearái, onde foi depositado, bem próximo ao local onde foi encontrado. E é aí que o material tem que ficar, diz Pinheiro.

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