Sustentável e comestível: descubra o novo bioplástico criado na Unicamp – 7 de maio de 2020

De acordo com uma pesquisa do WWF (World Wide Fund for Nature) baseada em uma pesquisa do Banco Mundial de 2019, o Brasil é o quarto país do mundo a produzir mais resíduos plásticos. Cerca de 11 mil toneladas desse tipo de resíduo são produzidas anualmente e apenas 1,28% é reciclado no país. Para encontrar uma alternativa aos plásticos não degradáveis, pesquisadores da Faculdade de Engenharia Química (FEQ) e Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp desenvolveram um plástico comestível e biodegradável composto de amido e gelatina.

Os bioplásticos são obtidos por um processo de extrusão no qual amido e gelatina são alimentados em uma máquina, onde são expostos a alta pressão, sem a adição de qualquer solvente. Eles então passam por um processo de sopro, que dá a forma de um biofilme. O desenvolvimento ocorreu durante o PhD do pesquisador de Farayda, Matt Fakhouri, supervisionado pela professora Lucia Helena Inoocentini Mei, da FEQ, e pelo professor Fernando Paul Collares Queiroz, da FEA.

Durante seu doutorado, e após uma extensa pesquisa de dados em repositórios nacionais e internacionais, Farayde constatou que existem bioplásticos flexíveis produzidos com outros polímeros biodegradáveis, mas não apenas descartados com materiais comestíveis. A ausência de um produto baseado em material comestível e não tóxico levou o pesquisador a buscar o desenvolvimento de um procedimento que tornasse essa alternativa sustentável. Os resultados positivos levaram a uma solução inédita, à base de amido e gelatina, que permitiu à Agência de Inovação Inova Unicamp solicitar uma patente no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).

“Nosso plástico não é tóxico e pode ser usado em brinquedos e produtos infantis após a limpeza. Dessa forma, se a criança o colocar na boca, não haverá problemas”, explica a professora Lucia Mei.

Até que seja alcançada uma consistência adequada que garanta a sopragem no filme, vários amidos (nativos e modificados) com diferentes proporções de gelatina foram testados. “Os testes foram necessários para conseguirmos uma formulação que pudesse explodir sem a adição de aditivos ou outros tipos de compostos”, disse Farayde.

Segundo o pesquisador, além da combinação que permite a forma do filme, quando a tecnologia é inserida no produto, confere maior brilho e flexibilidade à proporção desejada. O pesquisador explicou que a quantidade de gelatina pode contribuir para ser mais flexível e rígida.

A versatilidade deste plástico permite a sua utilização em diversos setores industriais: cosméticos, produtos de higiene, medicamentos e produtos descartáveis, principalmente embalagens plásticas constituídas principalmente por polímeros sintéticos. Pode ser usado nas embalagens primária e secundária e, se você empacotar o produto antes da embalagem final, também poderá ser comestível.

Com o foco em atender esses diferentes setores, a Attomo licenciou a tecnologia com o apoio da Inova e pretende produzir biofilme e comercializá-lo. A empresa está no mercado há sete anos com a produção de compostos para uso em plásticos e materiais descartáveis ​​e considera o licenciamento com o objetivo de alta demanda por produtos mais sustentáveis.

“O que nos levou a licenciar a tecnologia foi um apelo mundial por plásticos biodegradáveis, principalmente no uso de palha. Nossa idéia é produzir uma matéria-prima sustentável para as empresas que a produzem”, comentou Venge Gonçalves, consultor comercial da Attomo.

A empresa também pretende se concentrar no amido de vegetais brasileiros. Moacir Brotto, químico e diretor da Attomo, comenta que pretende investir no uso de mandioca de amido, que tem menor custo e é mais competitivo no mercado.

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