Ser um repórter negro significa opor-se a extras para defender a igualdade racial – 29.5.2020. – O mundo

Um repórter negro foi preso ao vivo enquanto cobria um protesto contra a morte do negro.

Poderia ter sido eu, mas era Omar Jimenez, correspondente americano da CNN em Minneapolis.

Jimenez seguiu manifestações contra outro episódio de violência policial contra negros nos Estados Unidos. A violência fatal de George Floyd, cujo pescoço foi pressionado no joelho de um policial branco, foi objeto de 18 investigações disciplinares.

Após uma palestra sobre relatos sobre situações de tensão e conflito, Jimenez pediu aos agentes que indicassem o melhor lugar onde a equipe de reportagem poderia continuar a seguir o ato – sem obstruir a ação policial ou se arrastar para o meio da violência.

Jimenez respondeu anunciando sua prisão. A detenção sem motivo e novamente mostra como o mundo está indo na direção oposta à liberdade de imprensa e à igualdade racial.

Se ele não fosse um repórter negro, ele não teria sido preso.

Na mesma região, que cobriu o mesmo protesto, estava o repórter Josh Campbell, também da CNN. Ele também foi abordado pela polícia, mas foi autorizado a continuar trabalhando. Campbell é branco.

O Brasil e os Estados Unidos têm várias diferenças em lidar com o racismo. Aqui existem os chamados quartéis negros. Não existe uma demarcação tão forte aqui, embora uma parcela significativa da população negra viva na periferia.

Um estudo de 2015 da Secretaria Municipal de Promoção e Igualdade Racial de São Paulo constatou que a negritude estava concentrada nos bairros periféricos. Por exemplo, em Parelheiros, na zona sul, os negros representam 57,1%, segundo a pesquisa. Em Pinheiros, no oeste, 7,3%.

Por outro lado, as semelhanças são destrutivas. Uma política implícita de matar os negros porque eles são negros, além da conexão automática dos negros ao crime e aos mais cruéis.

A necropolítica, uma expressão cunhada pelo filósofo camaronês Achille Mbembe, é verdadeira: a soberania é expressa predominantemente como o direito de matar.

Muitos irão particularizar a morte. Dizer que o erro foi cometido por um policial americano que matou Floyd, ou suspeito de atirar em um menino de 14 anos nas costas no Rio de Janeiro.

Agora, uma ação policial que termina na morte de um inocente não é apenas um erro. É o resultado de uma falta de políticas de segurança, despreparo da polícia e reflexo de viagens exaustivas que colocam os agentes sob estresse.

Assim, a necropolítica se manifesta na falta de políticas concretas contra os erros que se repetem há décadas.

Quando os policiais envolvidos no assassinato de negros não são julgados – ou quando a sentença passa do serviço de rua para o trabalho administrativo – a morte assombra as famílias daqueles que foram embora. Um policial dos EUA está respondendo a 18 perguntas disciplinares.

É difícil descrever em detalhes como me sinto quando vejo as mortes de Floyd e João Pedro e a prisão de Jimenez. Embora eu não possa respirar, tentarei descrevê-lo.

Seus ouvidos doem como um avião no momento do pouso. O coração acelera, o rosto queima com circulação sanguínea. O cérebro está soprando. As veias das têmporas estão soprando.

Minha respiração acelera e suspiro. Suas mãos tremeram. O estômago aperta como se estivesse à beira de um abismo – e, preto, estamos. Medo e raiva me dominam.

Não há como esquecer. Não há como descobrir. Outro morreu, e eu ainda estou aqui. Eu me pergunto por que eles nunca atiraram em mim. Onde eu consertei isso e o que eles perderam? Foi sorte? Destino? Deus? Eu não tenho resposta.

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