SpaceX e Elon Musk ajudam ou dificultam o desenvolvimento da ciência?

Design artístico da cápsula SpaceX Crew Dragon, que transportou os astronautas da NASA (Press Photo)

Todo mundo conhece a história. Nos últimos 30 dias, após uma tentativa de lançamento interrompida pelo mau tempo, SpaceX e NASA eles lançaram a tripulação do dragão com dois astronautas, usando um foguete Falcon 9 de Elon Musk e, 19 horas depois, uma cápsula ligado à Estação Espacial Internacional para iniciar uma missão por até cem dias. Másk é para muitos um visionário, um futurista que levará a humanidade para o próximo estágio. Para outros, incluindo grande parte da comunidade científica, Musk é um vilão. Vamos tentar entender por que há uma diferença?

Vantagens científicas

Primeiro, é preciso entender que a pesquisa tecnológica da SpaceX se beneficia da pesquisa científica. Primeiro, os foguetes Falcon podem pousar novamente, o que reduz consideravelmente os custos de lançamento. Portanto, quando pensamos em telescópios espaciais, os custos associados podem ser bastante reduzidos quando colocados em órbita.

Da mesma forma, o transporte de astronautas é mais barato. De acordo com a NASA, o custo por assento nas cápsulas russas da Soyuz foi de US $ 86 milhões, contra US $ 55 milhões da SpaceX. Vemos que ainda é caro, mas a possibilidade de enviar mais cientistas e experimentos para a Estação Espacial abre as portas para o desenvolvimento tecnológico e a busca de conhecimento, sem dúvida.

Nem tudo é um universo de rosas

No entanto, é importante manter uma visão crítica desse novo cenário. Precisamos pensar nos possíveis impactos dessa mudança de paradigma na exploração espacial.

Qual é o benefício real da exploração espacial para a população? São projetos muito caros que serviram muito mais como demonstração de poder militar durante a Guerra Fria do que para fazer progressos significativos.

O sonho espacial não é para todos, e mesmo do ponto de vista científico, as missões não tripuladas têm um retorno muito maior por dólar investido.

O objetivo final do projeto, que Musk esperava, era a colonização de Marte. A SpaceX tem um plano que inclui um voo para Marte até 2024. Embora possa parecer atraente e ambicioso, é, na minha opinião, irrealista e serve mais como marketing de marketing do que como um cronograma de lançamento viável.

Afinal, é importante lembrar que a SpaceX é uma empresa privada com mercados públicos que são negociados no mercado público e que ainda deve trazer lucros aos acionistas para continuar operando. Grande parte das entradas de capital vem do governo dos EUA, por meio de parcerias financeiras com a própria NASA.

Conflito de interesses

Por fim, a maior preocupação dos cientistas é o conflito de interesses entre retorno do capital e investimento científico, que geralmente é realizado “em geral”.

Toda parceria privada é prejudicial à ciência? Não, de maneira alguma, e acho que há um grande potencial no uso de foguetes SpaceX para a ciência. Mas é crucial ter em mente que, às vezes, as metas podem variar.

Na minha opinião, o melhor exemplo é o satélite Starlink, que discuti em um post anterior. Alguns vêem a possibilidade de Internet barato para todos, enquanto outros mais céticos sugerem que pode não funcionar dessa maneira – e, finalmente, o projeto deve gerar receita para parcerias militares. Enquanto isso, os satélites estão arruinando as observações astronômicas, com tentativas incansáveis ​​(e até agora malsucedidas) de resolver o problema.

Isso significa que temos que destruir tudo o Starlink? Nem. Mas se os cientistas não se sentarem à mesa com os diretores da SpaceX e discutirem estratégias, somos excluídos do planejamento futuro e isso será motivo de preocupação para todos. Não apenas nós cientistas, mas também a população que deseja se beneficiar dos avanços tecnológicos e científicos nas próximas décadas.

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